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Cavalos marchadores são os mais confortáveis para montaria

Cavalos marchadores são os mais confortáveis para montaria

O Brasil tem um dos maiores rebanhos de cavalos e burros do mundo, chega a 8 milhões de cabeças, e entre todos esses animais, existem por volta de 12 raças que podem ser consideradas brasileiras. Os marchadores são considerados os mais confortáveis para montaria.

O Brasil tornou-se um país privilegiado em cavalos. Não havia nenhum em 1.500, quando Cabral chegou, mas as tropas que os europeus trouxeram aqui se adaptaram, se multiplicaram e, hoje, só de marchadores, temos seis raças oficialmente reconhecidas.

O professor de equitação e árbitro Paulo Roberto Ribeiro explica que existem basicamente cinco movimentos do cavalo. Tem o galope suave, que é chamado de cânter, e o veloz, que leva à disparada. O passo, mais lento, faz ele sair da inércia, da parada, e é igual em qualquer tipo de raça. Os movimentos intermediários dependem da coordenação motora do cavalo.

No trote, o animal se movimenta em diagonal: levanta ao mesmo tempo a mão de um lado e o pé de outro e troca, dando um tipo de um pulinho com um tempo de suspensão no ar. Tem cavalo que sai do passo e entra na andadura, faz movimento lateral, levanta de uma vez os membros do mesmo lado, depois, alterna com o outro.

O de maior conforto para o cavaleiro é a marcha, de locomoção superelaborada. Na verdade, é o passo acelerado. São sequências que os técnicos chamam de “tríplices apoios”, alternados com apoios laterais e diagonais.

No Haras da Marcha, em Itu, São Paulo, da criadora Neringa Sacchi, os engenheiros eletrônicos Carlos Schelim e Adalton Toledo conduziram a pesquisa que resultou no aparelho batizado de analoc, o analisador de locomoção. Ele trabalha com uma câmera de vídeo, que filma o animal marchando em uma pista plana. As imagens são interpretadas por um programa de computador, que magnifica a visão da cena.

Schelim lembra que o olho humano enxerga um máximo de 30 quadros por segundo, só que o cavalo mexe as patas muito mais rápido. O programa do computador extrapola a leitura para até 180 quadros por segundos.

Adalton Toledo revela que um cavalo em marcha, a 12 km/h, em uma única passada completa faz oito movimentos no curtíssimo espaço de meio segundo. O gráfico do computador demonstra bem o diagrama do rastro: ele vai intercalando tríplices apoios com apoios laterais e diagonais, sendo que a cada meio segundo chega a ficar quatro vezes com três cascos no chão. Conclusão: na marcha, o animal passa 60% do tempo apoiado, nunca perdendo o contato com o chão.

Campeiro O feito de uma cavaleira sulista de Santa Catarina, do município de Curitibanos, consegue impressionar. Embora montando um garanhão, que normalmente é mais fogoso que um castrado, Mariana Becker equilibra um copo com leite na copa do chapéu por quantas voltas quiser, tal é a maciez do andamento. O garanhão é um típico representante da raça dos campeiros. O campeiro é o caçula entre os marchadores, pois é a raça reconhecida mais recentemente, em 1985, apesar de ter pelo menos 400 anos de história.

O campeiro surgiu na região das florestas de pinheiro, por isso, ganhou o título de “O Marchador das Araucárias”. Todo fim de semana, no Planalto Catarinense, o que restou dos pinhais serve de moldura para animadas e confortáveis cavalgadas.

Ivadi de Almeida tem 90 anos e ainda pratica montaria. É filho, neto, bisneto de tropeiros, criador e negociante de cavalos. A descoberta do cavalo campeiro como raça se deu por acaso. Ivadi foi a São Paulo em 1964 com a intenção de trazer um garanhão para fazer melhoramento genético, mas em uma exposição de mangalarga, ele acordou para o fato que o plantel de campeiro era único e não era bem o mangalarga como pensava.

Ele conta que a diferença principal é a origem, mais espanhola que portuguesa, e remonta ao ano de 1541. O aventureiro Alvar Nuñes, o Cabeza de Vaca, foi nomeado governador da Província do Prata pelo rei da Espanha. Na viagem, parou em Florianópolis e seguiu por terra atravessando Santa Catarina até Assunção, no Paraguai. Da tropa que Cabeza de Vaca tinha trazido, alguns animais se desgarraram, outros foram cruzando com éguas fugidas dos primeiros criatórios argentinos e assim formou-se a base da raça que espontaneamente se desenvolveu nas montanhas de araucárias.

Quando Ivadi pediu a vistoria do Ministério da Agricultura, em 1985, os técnicos prontamente reconheceram a raça. Um cavalo robusto, rústico, nem alto nem baixo, estatura média de 1,48 metro e um corpo que se encaixa perfeitamente no padrão internacional do animal de sela: o formato quadrado com proporções bem equilibradas de membros e linha de dorso.

Fonte: Globo Rural (Portal G1) 02/03/2014

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